Em Pandemia

Saúde mental na pandemia é um privelégio.

Há um ano estamos em pandemia, isolados mais e mais do contato social. A cada dia eu sinto minha vida se tornar virtual de uma maneira forçada. Jamais imaginei que sentira falta do contato e convívio social da forma como sinto e muito menos que isso seria fundamental para minha saúde mental.

Logo eu que sempre senti que o contato humano não fosse algo tão fundamental, descartável, sem nenhum tipo de influência em nosso comportamento e personalidade, descobri que cada pessoa que um dia já passou por nossa vida, direta ou indiretamente influencia em como pensamos, agimos e vivemos. Passei alguns anos sentindo a minha existência como o centro do universo e aqui, no auge do meus 31 anos, eu me dei conta da minha insignificancia diante de um universo que continua existindo independente de mim. Também me dou conta que, apesar de toda a minha insignificancia eu, ainda assim, faço parte dessa rede de nós que conecta a tudo e todos numa só existência coletiva e individual.

A solidão companheira que odiei por muito tempo, hoje ainda me faz companhia no meu cotidiano de carrossel de emoções. Ela é amiga, parceira, carrasca e continua me acariciando quando preciso dela. Entendendo que toda convivência é desgastante e assim se faz a minha com a solidão. Às vezes me percebo parada em um tempo que anda pra frente e devagar e me pego pensando na solidão.

Confesso que não vim fala sobre a minha companheira solidão. Queria externalizar esse sentimento que se faz muito presente nos ultimos tempos: sentimento de deslocamento ou, talvez, de não pertecimento. Eu caminhei por longos anos sem direção, sem saber para onde estava indo. Passei por caminhos que trouxeram alegria, tristeza, arrependimento, muita dor, medo em excesso e hesitação. Quando penso na solidão, isso me traz a incerteza do caminho no qual estou. Sinto que se eu fosse eu mesma, eu não estaria aqui. O sentimento de aprisionamento numa vida na qual eu não gostaria de estar vivendo se faz forte, presente e atormentador. Eu me pergunto… Como que eu cheguei aqui? Como eu pude me permetir ser distanciada de um caminho que me faria muito mais contente se eu o seguisse, como eu vim parar aqui? Será possível parar e mudar de rumo? Seria possível que eu me tornasse eu no auge dos meus 31 anos.
Há anos eu estive procurando me conhecer, me ouvir, me sentir e me amar. Talvez eu tenha finalmente conseguido me ouvir dizer “Oi, essa sou eu. Prazer” e ter, finalmente, conseguido escutar essa voz lá do meu âmago é o que me fez perceber que cheguei em um caminho na qual eu fui guiada por outras pessoas que realmente não sabiam nada sobre mim. Quero chegar em casa, onde quer que ela seja, sentar comigo mesma e dizer “Seja bem vinda!”.

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